DE PASSAGEM...

sábado, 14 de abril de 2012

Dias 4 a 5 - Pelos Fiordes, até ao Sol da meia-noite...

Dia 4 – 10/04/2012 – St. Genis de Saintonge (FR) / Pirinquiau (FR) – 350/1.786 km
Ao contrário de ontem, a manhã foi muito chuvosa.
Oportunidade de fazer a Passage du Gois, um verdadeiro suplicio para os ciclistas, nomeadamente se a maré está a começar a baixar, deixando um rasto de lama, que não poucas vezes tem feito estragos no Tour...





Foi também dia de fazer um teste de internet, o qual não correu nada bem...num McDonalds, consegui publicar texto no Blog, mas quanto a fotos, não consegui carregar nem uma...Fica para depois.
Mais á frente, destaque também para a espectacular Ponte de Saint Nazaire, que em tempo ventoso, se torna realmente perigosa.
E aqui estamos na ASP de Prinquiau (N 47º22’00’’ W 02º00’44’’), juntamente com mais 3 AC’s e depois de termos dado um pequeno passeio através das ruas bem limpas e floridas, o que já começa a ser habitual onde paramos.



Dia 5 – 11/04/2012 –Pirinquiau (FR) / Cap Sizun (FR)– 320/2.106 km
Em termos climatéricos, dia muito semelhante ao de ontem, mas com menos chuva.
Para começar, Locmariaquer e as suas construções Neoliticas, Le Grand Menhir

La Table des Marchands


e Le Tumulus Er Grah
De seguida, Carnac e os seus Alinhamentos,

Depois...uma tortura...sim, uma verdadeira tortura.
Vejam bem estas “coisas”, que se podem encontrar quase porta sim, porta não, em Pont Aven


Isto é criminoso...Mas eu consegui resistir ás tentações ;)
Mas Pont Aven...é mesmo uma vila linda...






Passagem por Concarneau

Onde, á saída, aproveitámos um Leclerc com o gasoleo a 1,400, para atestar o deposito da Tuguinha...81,91 lt para os 983 kms entretanto percorridos, e uma média de 8,333 lt/100, a rolar em passeio e a passar os 3.500 kgs...Fiquei satisfeito.
E ainda a tempo de visitar uma das mais belas Vilas de França...Locranan, com destaque para a Igreja de San Ronan









Depois, e porque ainda dava tempo, alteração da rota, e activação de um Plano B, em direção á Ponta du Raz, para ver o pôr do sol, a partir de um dos locais mais a ocidente do território Francês.

Havia muitas nuvens, pelo que a qualidade do espectaculo, ficou aquem do desejado
E após uma pequena deslocação de 5 kms, eis-nos no nosso local de pernoita, um parque no Cap Sizun (N 48º03´35’’ W 04º42’26’’), onde já se encontravam mais de duas dezenas de AC’s quando chegámos.
Silêncio absoluto, apenas interrompido pelo rebentar das ondas bem lá ao fundo.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Dias 1 a 3 - Pelos Fiordes, até ao Sol da meia-noite...

Dia 1 – 07 de Abril de 2012 – Camarate / Valladolid (SP) – 653/653 kms
E chegou o dia...
Passavam 30 minutos do meio dia, quando a “Tuguinha” saiu do seu local habitual de pernoita, afim de se dirigir a Moscavide,
onde, tal como previsto, ás 13 horas e 15 minutos, a minha co-piloto tomou o seu lugar a bordo, dando assim inicio á nossa tão esperada viagem...
Pela frente tinhamos a Ponte Vasco da Gama,
e para traz deixávamos Lisboa, cenário a rever em Julho.
Ontem, tinhamos tomado a opção de que o nosso almoço de hoje seria “rolante”...que é como quem diz, toca a comer sem estacionar, pois havia que percorrer mais de 600 kms e com previsões climatéricas nada favoraveis, e como tal, não havia tempo a perder.
Felizmente, e como já é frequente, a metereologia mais uma vez falhou, já que apanhámos um tempo espectacular, e apenas nos 15 kms que antecederam a nossa passagem por Salamanca, é que a chuva apareceu...e diga-se que em força. Mas ficou por ali.
A seguir a Pegões, á passagem por Afonsos, e tal como havia pensado, lá fui até á báscula...
Sem piloto nem co-piloto, 3.440kgs, menos 25 do que me davam as minhas contas. De qualquer modo, e em circulação, iremos a rondar os 3.600, portanto, dentro da percentagem de tolerância admitida...a ver vamos.
Com 218 kms percorridos, estávamos a entrar em Espanha, para de imediato irmos directos a um dos hipermercados de Badajoz, onde tinhamos asuntos inadiaveis para tratar.
Apesar de tudo ter sido rápido, a verdade é que foi uma hora que “perdemos” ali, incluindo os desvios de rota.
Seguimos a Autovia Ruta de La Plata, ainda nossa desconhecida, embora não diga o mesmo das paisagens e vias adjacentes, pois muitas foram as vezes que passámos na EN que em muitos e muitos kms, segue em paralelo.
Autovia com piso excelente e um traçado a condizer.
e na qual, a 93 kms de Salamanca, começámos a avistar neve no Puerto de Bejar, aproveitando a co-piloto para dar ao dedo....Ui, vai ter muito que “trabalhar” nesta viagem...ó se vai.
Logo a seguir a Salamanca, e porque o corpinho já pedia abastecimento...toca de parar para o repasto...Estamos a dieta, e então apenas uma bela sopinha ;) São servidos?
Adivinhem o que era...?
A seguir, mais 107 kms, com o nosso Tomtom a trazer-nos direitinhos á ASP de Valladolid (N 41º39’20’’ W 04º44’14’’), onde já se encontravam 12 AC’s e uma AV, para uma lotação de 15 viaturas.
Ainda deu para todos 3...esticarmos os membros inferiores J
Trata-se de uma zona residencial, mesmo junto ao Recinto Ferial da cidade e Centro de Congressos, e esperemos conseguir descansar bem, pois amanhã há mais, e oxalá que o tempo se aguente como hoje.

Dia 2 – 08 de Abril de 2012 – Valladolid (SP) / Anglet (FR) – 420/1.073 kms
Noite sossegada e bem dormida, ideal depois dos 653 kms de ontem e antecedendo a parte final da travessia do“deserto” chamado Espanha.
Ao acordar, temperatura de 14º na célula, mais concretamente no quarto, e de 8º na cabine...
Tal como ontem, o tempo esteve agradavel, durante uma grande parte do dia, apenas piorando com a aproximação á fronteira em Irun, aos 1.041kms de viagem, e que veio impossibilitar a viagem prevista no Train de La Rhune e o regalar a vista com as belissimas paisagens, lá bem do alto, no limiar da fronteira Espanha-França.
Fica para uma proxima oportunidade.
Logo após a passagem por Burgos, tempo para um primeiro reabastecimento de combustivel, com 80,2 lts, correspondentes á media de 9,926 lt/100 para os 807 kms já percorridos, e já agora a 1,399 €/lt....diria que uns bons centimos abaixo do preço em Portugal.
Esta média, apesar de ser bem alta para a minha condução, não é de estranhar, pois as autovias foram feitas a velocidades entre os 90 e os 110 km/h...
Almoço no miradouro da Estátua do Pastor, por sinal, e talvez por ser domingo de Páscoa, estavam cerca de 30 viaturas, entre elas mais 5 AC’s.

Com a aproximação á fronteira, o deposito foi de novo atestado, já que aqui em França, os preços piam mais finos.
Por curiosidade, entre os 2 reabastecimentos, fiz 230 kms, com uma média de 77km/h com chave de ignição ligada...e um consumo de 7,635 lt/100.
Muito bom, e apesar de ser a média mais baixa que fiz até hoje, nem a irei considerar como tal, pois para mim, só me interessam os valores obtidos em 800 ou mais kms...
Quem sabe se, lá mais para“cima”, conseguirei chegar a numeros parecidos.
E com gasoleo a cerca de 1,9 €/lt na Noruega...até que daria muito geito.
Passada a fronteira e respectiva portagem, com 1.41 kms percorridos, e devido ao mau tempo, viémos directos á ASP de Anglet (N 43º30’25’’W 01º32’03’’), gratuita tal como a de ontem, e onde chegámos cerca das 18 horas, estando já bem “recheada”, mas que, a seguir ao jantar, e bem contadinhas, eram 72 AC’s e 7 AV’s...com lugar apenas para mais 3 ou 4...
Após a chegada, e aproveitando uma aberta no tempo, fomos logo fazer uma passeata pela praia dos Corsários, aqui bem juntinho ao parqueamento, e a norte do Farol de Biarritz, já por nós visitado em Julho de 2008.
Cuidado com a foto...para além de mal se conseguir ver o farol, atenção que não foi o Luck que cresceu...esse era outro que por ali andava, enquanto o nosso “porta chaves” ia correndo feito doido pelo areal.
E falando do tempo, parece que a chuva parou...o que também não é nada mau, pois assim vamos conseguir adormecer com um belissimo som de fundo....o rebentar das ondas aqui bem perto.
Para amanhã...Duna de Plat, a mais da alta da Europa com os seus 103m e Bordeaux, com pernoita prevista para a ASP de St. Paul de Blaye.
Bem, e uma internetezita também vinha a calhar...não só para actualizar o blog, mas igualmente para ver um“certo” jogo...é que a minha Zon, não contempla Sportv’s... ;)


Dia 3 – 09 de Abril de 2012 – Anglet (FR) / St. Genis de Saintonge (FR) – 363/1.436 kms
Dia bem solarengo, principalmente a partir do meio da manhã.
Assim, e após mais uma noite bem dormida, saímos direitos á Duna du Pyla, a mais alta da Europa, com 117 metros de altura e 3 kms de comprimento.
Tendo chegado ali ás 12,30h, aproveitámos para almoçar...e assim arranjar energias para a subida da duna.
Subida pela escada, se bem que o Luck ainda teimou em subir pela areia...
E descida por um trilho existente na duna.

Lá do alto...o Golfo de Biscaia
E o cordão dunar...
De seguida, em direção Bordéus, onde aproveitando o facto de quase todo o comércio se encontrar encerrado, muito possivelmente por ser feriado nesta 2ª feira de Pascoa, lá fomos com a nossa Tuguinha por ruas e ruelas da cidade, algo que seria impensavel, num dia normal de semana.




Terminada a breve visita a Bordéus, seguimos por estradas interiores, ladeadas por vinhas e vinhas a perder de vista.
Era intenção nossa pernoitar em St. Paul de Blaye (N 45º08’52’’ W 00º36’18’’), e para lá nos dirigimos.
Ficámos com a sensação de ser um local muito sossegado, mas porque ainda era cedo, e o sol convidava a fazer mais alguns kilometros, seguimos até St. Genis de Saintonge (N 45º28’47’’ W 00º34’06’’), onde nos encontramos, e que nada fica a dever ao sossego da anterior.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Dia 0 – 06 de Abril de 2012 – Camarate

E a contagem decrescente, está a chegar ao fim...
Poucas horas já nos separam do inicio desta nossa viagem, a que alguns insistem em chamar-lhe aventura.
Não sou muito aventureiro, e como tal, considero ter preparado o nosso roteiro de modo a não ir própriamente “á aventura”.
Esperam-nos 106 dias (86 á minha co-piloto), durante os quais, serão percorridos cerca de 19.500 kilometros, oxalá que sem grandes precalços, pois para os pequenos, estamos nós preparados.
Muitos dias através de locais, culturas e paisagens para nós desconhecidas, onde procuraremos ficar a conhecer um pouco mais desses paises e das suas gentes, e já agora, porque não, também da sua gastronomia...certamente que os nossos estomâgos, irão agradecer.
Alguns milhares de fotos, bem como muitas horas de videos, irão sendo descarregadas e guardadas no portatil, de modo a conseguirmos ficar com registos para, mais tarde, fazer uma compilação final de toda a viagem.
Pelo meio, e na medida do possivel, irei alimentando este meu espaço, de modo a podermos partilhar a viagem com os nossos amigos.
A nossa AC está prontinha a dar á chave e arrancar, totalmente carregada, faltando apenas os passageiros.
Ao passar em Afonsos, logo a seguir a Pegões, vou fazer-lhe uma pesagem na báscula ali existente, de modo a aferir se o valor a que cheguei, estará mais ou menos correcto.
De momento, tendo tido o cuidado de registar o peso que ela tinha aquando da inspeção no passado dia 19, anotando os valores de tudo o que entretanto entrou e saiu, e, até ver, apenas com meio deposito de agua, obtive um total de 3.380 kgs, fora os ocupantes...portanto, certamente que, em circulação, vou sair ligeiramente acima dos 3.500, mas a confiar na tolerância dos 5%...
Pelos sites da metereologia, já sei que vamos começar com muita chuvinha, nada que seja de estranhar, pois se, normalmente nesta altura, ainda estamos no tempo dela, então num ano como este ano, ainda muito mais estaremos.
A primeira noite, desde há muito tempo que está prevista para Valladolid... Entretanto, e devido á presença do Bruno Pires, Sergio Paulinho, Hernani Broco e Andre Cardoso, na Classica da Primavera, em Amorebieta, ainda pensei em “esticar” mais um pouco os kilometros e ir ficar mais perto do local, de forma a poder estar no Col de Zugastieta a ver as 3 passagens que farão por lá, e “obrigá-los” a ver a bandeira do seu país.
Com muita pena minha, não creio que tal vá ser possivel, pois com as condições climatericas previstas, tudo se torna ainda muito mais dificil.
Portanto, e com tudo preparado para o arranque, é esperar que a co-piloto saia amanha do trabalho ás 13 horas, de modo a, 15 minutos depois, iniciarmos a longa caminhada que nos levará até ao Sol da meia-noite...pelo menos assim esperamos.
Certos de que partimos com muita apreensão em relação ao actual estado deste país “desgovernado” desde há um quarto de século...e que agora, os “coelhos troikianos” parecem querer acabar de o destruir. E quanto ao regresso...será que os meus GPS’s ainda conseguem dar com o nosso país? Será que isto não vai passar a ser Merkegal? Sarkozal? Merkozigal? Bem, é melhor pensar positivo e...esperar que as coisas melhorem.
Para todos os nossos familiares e amigos, que, na medida do possivel, fiquem bem por cá...divirtam-se se puderem, porque nós tencionamos fazer o mesmo.
Ao David e á Marilia, que, na próxima 2ª feira, também vão sair para uma viagem até ao Cabo Norte e ao Euro 2012, um até já...pois dia 15 lá nos encontraremos em Bruxelas para as “Moules et frites”, e mais tarde, a 20 de Junho, novo reencontro em Varsóvia...ficamos a aguardar a sugestão de ementa...
Para o Resende...lá te esperamos, aí já só eu e o Luck, para ainda vermos algumas etapas do Tour, e se possivel as regarmos com uns verdinhos que leves de cá...porque nessa altura, de certeza que já não terei stock disponivel.
Até breve...algures por aí

sábado, 10 de março de 2012

Medalha de Mérito

Para quem me conhece minimamente, sabe que não sou nada destas “coisas”, mas por respeito a quem decidiu atribuir-me tal distinção, lá fui hoje até Peniche, local escolhido pelo SNEET (Sindicato Nacional dos Engenheiros, Engenheiros Técnicos e Arquitectos) para fazer a entrega das primeiras Medalhas de Mérito (Bronze Dourado) e respectivos Diplomas, bem como os Titulos de “PROTECTOR do Conselho dos Notaveis”, a 70 Sócios que ao longo das ultimas décadas, no seu entender, e "através dos seus esforços, contribuiram para dignificação da Engenharia, Arquitectura e/ou engrandecimento do Sindicato".
Dado que não sou Arquitecto, nem nunca fiz mais do que pagar anualmente as quotas do Sindicato...sinto-me muito honrado em fazer parte daqueles que dignificaram a Engenharia.
Num momento destes, sinto-me obrigado a parar para pensar e fazer uma retrospectiva do que foram os meus 31 anos de actividade profissional, infelizmente interrompida/terminada durante o ano de 2011.
Como em tudo na minha vida, sempre segui os principios que desde muito novo me foram sendo ensinados, com principal destaque para a Honestidade, a Disciplina e o Rigor.
Obviamente que, ao exercer a minha profissão seguindo esses principios, e como não podia deixar de ser, muitos foram os obstaculos que se me depararam, os quais, inevitavelmente, implicaram muitas noites mal dormidas e desencontros com alguns colegas e superiores hierarquicos.
Porque sou de ideias fixas, hoje, voltaria a seguir os mesmos critérios de rigor, quer na Direção das obras, quer na gestão dos recursos humanos e materiais das mesmas.
Foi com esse rigor que consegui obter resultados positivos em cerca de 95% das obras que tive a meu cargo...e se mais não consegui...foi por não ser “santo milagreiro”.
Certamente que fui prejudicado ao longo da minha carreira pelo simples facto de não ser “lambe-botas”...mas não me arrependo, e prefiro deixar esses atributos para outros que queiram subir na vida pelo caminho mais facil.
Ao SNEET, o meu MUITO OBRIGADO pela distinção de que fui alvo, mas acreditem que mais não fiz durante a minha carreira profissional, do que guiá-la com os principios acima indicados.